domingo, 20 de setembro de 2015

Resenha #11 | The Game | Anders de La Motte

Sinopse
Você quer jogar? É só um jogo. Isso é o que pensa Henrik “HP” Peterson, protagonista da Trilogia The Game, ao aceitar um convite anônimo, via celular, para participar de missões inusitadas pelas ruas de Estocolmo. Mas a cada tarefa cumprida, e devidamente compartilhada na rede, ele tem a sensação de que a brincadeira está ficando séria demais. Será paranoia? Ou será que HP está realmente caindo numa poderosa rede de intrigas, com conexões que poderiam chegar aos responsáveis pelo assassinato do primeiro ministro sueco em 1986 ou até mesmo aos ataques do 11 de setembro? Quem afinal está por trás desse JOGO? Você tem coragem de investigar? Um thriller dos tempos de hoje, onde tudo o que acontece numa tela touchscreen já não pode mais ser considerado virtual. 





#TheGameDarkside

A história começa com Henrik Petterson em um trem e encontra em sua cabine um aparelho celular de um modelo diferente, que supostamente foi esquecido por outro passageiro. Aliás, o celular parecia ser um modelo exclusivo para algum grupo pequeno de pessoas, já que nunca tinha visto algo como aquilo. Ele acreditava ter encontrado uma oportunidade de ganhar uma grana vendendo o aparelho até receber uma mensagem – “Quer jogar?” – e duas opções de resposta – Sim/Não. Uma segunda mensagem foi enviada com o mesmo texto, mas direcionada a HP (como era apelidado). Por um instante, HP pensou se tratar de uma brincadeira de Manga, um antigo amigo e resolveu entrar no jogo, já planejando se vingar em breve.

 “Bem-vindo a uma nova dimensão de jogo, um mundo onde a realidade é um jogo, e o Jogo, realidade.Bem-vindo à experiência de jogo mais intensa do mundo!Bem-vindo ao Jogo!”

Rebecca Normén é uma guarda-costas reconhecida por seus superiores por sua técnica e profissionalismo, mas desdenhada por colegas de trabalho, apenas por ser mulher em um ambiente tipicamente masculino.  Focada, profissional e extremamente reservada, levava uma vida sem grandes aventuras. Seu passado problemático teve grande influência no tipo de pessoa que ela se tornou. Sem muitos amigos e afastada do único irmão, se sentia solitária e supria suas necessidades físicas com um cara que ela conheceu num bar, Micke. Não havia sentimentos, ele era apenas um “pau-amigo”.

HP, após descobrir que seu amigo não tinha nada a ver com o aparelho celular, resolveu continuar o jogo, já que os resultados eram promissores: fama e dinheiro o suficiente para pagar suas contas, comprar alguns boxes de série, muita bebida e drogas. O jogo era simples! Ele só precisava cumprir algumas missões determinadas por alguém denominado Mestre do Jogo, seguir duas regras rígidas e caso as missões fossem realizadas com sucesso, ele subiria no rank do jogo, receberia missões com dificuldade elevada e prêmios promissores, além de ser reconhecido pelos Funcionários, pessoas que pagavam para assistir ao jogo anonimamente. Até o dia em que foi pego pela polícia ao cumprir uma missão, onde deveria atingir o camboio de algum político muito influente e ele quebrou a regra número um pela primeira vez: “Nunca fale com ninguém fora da Comunidade do Jogo sobre o Jogo.”

Normén mantinha uma postura séria e imaculada, mas um pequeno incidente de trabalho a fez relembrar seu passado e isso começou a abalar sua aparente personalidade. Somado com post-its ofensivos e anônimos em seu armário, ela se via fraca e insegura como era quando conheceu Dag. Dag foi seu namorado quando tinha 18 anos e tinha tentado matá-la. Ele caiu da janela e o irmão dela tomou a culpa em seu lugar, passando anos na cadeia por um crime que não cometeu e desde então, seu relacionamento nunca mais foi o mesmo. Seus instintos de policial estavam atentos à sua nova missão, mas a insegurança de parecer fraca e covarde a impediram de avisar a equipe sobre a atividade suspeita na estrada. O carro em que estavam foi diretamente atingido e o acidente lhe rendeu algumas fraturas e seu parceiro estava na UTI, correndo risco de morte.

“E lá estava ele, imaginando que era uma espécie de superastro, quando era apenas uma na multidão. Um peãozinho patético que poderia facilmente ser sacrificado para que o jogo pudesse seguir em frente.”

O livro tem uma narrativa frenética que me prendeu na leitura até o final. Foi publicado originalmente em 2010 (não faz tanto tempo), mas nunca foi tão atual. O controle e manipulação de cidadãos é explicitada nessa história como algo que só vemos em filmes, mas fiquei pensando se não somos todos controlados por algum maníaco e sequer notamos, já que nosso vício em nos manter conectados full time nos impede de manter um relacionamento saudável com amigos ou família. Buscamos basicamente as mesmas coisas: dinheiro e reconhecimento. Mas isso tudo é a custo de que? Estamos dispostos a correr riscos em troca de algo que não traz realização pessoal e felicidade?


Anders de la Motte é um ex-policial e diretor de segurança de informação de uma das maiores companhias de TI do mundo. Está desenvolvendo uma série para a TV americana com o produtor executivo de Homeland e 24 Horas. Nunca tive a oportunidade de ler literatura sueca, mas posso dizer que iniciei com o pé direito. A Darkside fez um ótimo trabalho na diagramação e a capa está linda – AMO/SOU hardcover.




Curtiram a história? Eu estou super animada e mal posso esperar pela sequência. 

Até a próxima!