domingo, 17 de maio de 2015

Flores

Oi, gente!

Estou com um pequeno problema de internet, mas em breve tudo se resolverá. Espero conseguir postar tudo conforme planejado.

Escrevi esse texto como parte de um exercício de escrita que vi num grupo do facebook em que participo. Espero que gostem :)



Foi hoje, o funeral. Minhas emoções gritavam em meu peito, minha alma ansiava pelo último adeus, um último olhar em seu rosto não mais rosado. Eu não conseguiria ver seu rosto sereno, quase sorrindo sem me entregar às lágrimas e eu queria evitar os olhares de censura dos mais velhos, não poderia permitir que invadissem a privacidade da minha dor e eu fugi. Não sei se estão me procurando ou se simplesmente preferem minha ausência.

O vento sopra frio e a noite está chegando, não quero voltar para casa e encontrar pessoas sussurrando sobre sua partida ou sobre como éramos na infância. Ou pior, me fazerem escolher o que quero guardar de recordação. Não quero recordações, suveniers da sua morte. Eu quero experiências ao seu lado, quero olhar em seus grandes olhos e encontrar a paz, tocar seu rosto quente que sempre tinha um leve sorriso direcionado a mim. Eu poderia fazer qualquer coisa para que pudesse se lembrar de mim, onde quer que esteja, e me dissesse que tudo ficaria bem e que, em breve, nos encontraremos num grande banquete. Queria ouvir sua voz para acalmar minha alma abatida.

As flores estão murchando. É irônico pensar que sempre teve apreço por rosas brancas e só agora eu pude comprá-las como um último presente, que sequer entregarei. Talvez eu as tenha comprado para mim, como autoflagelo. Proibi a mim mesma de lhe dar adeus para proteger a única parte intacta do meu corpo, minhas lembranças. Lembranças intactas, mas tão frágeis quanto essas rosas que perdem as pétalas apenas com o beijo do vento.


Até logo! Apenas isso. Sem últimos beijos ou abraços, que determinam uma viagem sem volta. Na expectativa de um novo encontro, te desejo paz e descanso merecido.