sábado, 11 de abril de 2015

Sobre pousos e voos

Oi, gente!
Muito prazer, sou um pequeno pássaro que está aprendendo a voar. Sou gaúcha da gema, com sonhos de gente grande. Sou herdeira do maior amor, gosto de viajar, de fotografia, de bater papo sobre coisas que mais amo e descobri que gosto de escrever.       
Quero compartilhar meus gostos com o máximo de pessoas que puder alcançar e espero que curtam nossos pequenos voos...
A data de hoje é especial para mim, pois completa dois anos que perdi a pessoa mais importante e isso me traz a memória tudo o que me incentivou a criar o BF e só tenho a dizer, obrigada!

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Acordar e não te encontrar.
Voltar pra casa e não receber seu abraço.
Sentir seu carinho e realizar que é apenas um sonho. Levantar durante a madrugada e sentir as lágrimas escorrem pela face por alguém que se foi e que não vai voltar.
Quanta diferença em minha vida sua falta faz. Quantos conselhos eu ainda tinha para receber. 
Quantos sorrisos eu ainda poderia receber... Mas você se foi e me deixou aqui, sozinha. Sem os preciosos conselhos e sem os sorrisos mais felizes.
Foi algo que fiz que te desanimou? Minha rebeldia te afastou tanto a ponto de desistir de continuar tentando, continuar lutando? Juro que tento entender seus motivos, mas só consigo sentir a dor da saudade que aperta meu coração, que arde na minha garganta e se derrama por meus olhos toda vez que vejo mãe e filha fazendo compras ou quando encontro um conhecido que sempre pergunta como está, o que acontece com frequência. Você sabe, cidade pequena. Essa realidade está além do que posso suportar.
Sei que nunca lerá esse texto, pois essas coisas não são mais importantes, mas será que consegue ver como me sinto? Consegue ver de onde está que tenho cometido erros idiotas? Eu me pergunto se existe arrependimento em você por ter partido ou se ri do jogo que a minha vida se tornou...
Uma vez, me disseram que tu disseste que eu não me importava com nada, inclusive você. Não sei se é verdade, mas já adianto que é mentira. Sempre me importei, mas o que eu poderia fazer? Era apenas uma garota desesperada tentando fugir da realidade que batia à porta da minha vida. Eu sinto muito por não ter comparecido naquele dia. Eu podia ter feito mais, eu sei e me acuso todos os dias, sempre me justificando pelos seus erros passados que infelizmente continuam doendo. Por diversas vezes, me afastou do seu amor do mesmo jeito que tenho afastado outras pessoas de mim.
No final, somos iguais, não é? Seria essa nossa maldição, afastar todos a quem amamos e sofrer tanto no final? Eu me orgulho muito da mãe que tive, mas não do final que teve. Também não desejo me tornar você, não mais. Quero quebrar a maldição e ser livre. Quero sair da gaiola que eu mesma entrei por sua causa. Vai ser difícil, pois minhas asas estão tão fracas, mal consigo abri-las por completo. Estou tentando, desesperadamente bato as asinhas para levantar voo... Mas 23 anos recebendo o alimento no ninho me deixam exausta em poucos minutos de esforço. Apesar do cansaço e da dor nos músculos, eu vou continuar tentando, impulsionando meu corpo para fora da gaiola que sempre esteve com a portinhola aberta, me chamando para a liberdade. Não vou desistir até alcançar os galhos daquela amendoeira que temos no quintal. E depois, continuarei voando. Voarei até o fim dos meus dias e terá sido por você e pra você. Por todas as vezes que desejou voar e eu a impedi. Por todas as vezes que não consegui te orgulhar.
Estou limpando minha gaiola, tirando tudo aquilo que ocupa espaço desnecessário e que mantém meu coração pesado. Acredito que isso interfere nas minhas asas. Confesso que quero manter todas as suas coisas bem juntas para que eu posso me aninhar nelas e dormir, mas eu preciso jogar fora tudo aquilo que me impede de ser livre.
Gostaria de saber sua opinião, mas terei que me contentar apenas com a dúvida sobre seus pensamentos. Aliás, nunca entregamos as chaves de nossos corações uma a outra. Noto que nunca fomos tão próximas e que apenas o amor nos mantinha unidas. Sentimento que hoje me mantém presa dentro de mim mesma, sabotando meus sonhos diariamente. Deixei o amor e a falta dele dominar meus passos, permiti que ele me sufocasse a ponto de ainda me fazer sentir dores profundas enquanto escrevo essas palavras... Eu sinto muito! Preciso deixar essa carga pra trás para ser quem gostaria que eu fosse. Preciso esquecer você até que meu coração esteja curado e que possa me lembrar dos nossos momentos e sorrir com a saudade, mas na expectativa de voltar a te encontrar. Não vai doer mais, estarei curada e com asas fortes o suficiente para migrar para lugares quentes todo inverno da minha alma.